sexta-feira, 24 de julho de 2009


Hoje o sol brilha de maneira diferente, brilha de maneira inexplicável. O meu olhar vira-se para o azul do céu.
Ando desorientada, não sei que fazer, muito menos que dizer.
Tenho que me ver e sentir, não consigo estar onde tu estás. Sim, fazes-me falta, mas não te consigo alcançar. Será que tu és como o sol?
Quanto mais perto estás, mais difícil se torna alcançar-te? Hoje eu choro, preciso de ti, tenho de te sentir.
Dou por mim a abraçar-me, unindo um braço ao outro e sentir que estou só e que ninguém está mais ali.
Tal como Fernando Pessoa, eu não finjo nem minto, simplesmente tudo aquilo que escrevo sinto com o coração.
Dou por mim, neste momento sem saber quem sou. Se existo é um erro eu saber. Mal acordo, parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho. O sol continua a brilhar e dou por mim a olhar fixamente para o céu.
Em que tudo parece estar bem, em que o azul transmite a pureza de um ser renascido das cinzas. Paro, ajeito o cabelo e viro o meu olhar para o brilho do sol.
Por cima da minha cabeça, o céu é grande, sinto árvores ao longe, embora o vento acalme, há folhas num vaivém.
Tudo está do outro lado, no que há e no que penso. Costumo andar pelas ruas a olhar para um lado e para outro, olho para a esquerda e para a direita, e de vez em quando olho para trás.
E aquilo que vejo a cada momento, é aquilo que nunca antes tinha visto. Paro e sinto o vento a bater na minha cara, e num instante vou derramando uma lágrima atrás da outra. Olho o horizonte e começo a pensar naquilo em que a minha vida se transformou, nas amizades que fui construindo ao longo dos anos, naquelas que mantenho com grande apreço, outras que se desfizeram talvez ou não por minha culpa.
Dobro os joelhos e deixo que a minha cabeça caia sobre eles. Olho fixamente para o chão. Ergo a cabeça, anteriormente pousada sobre os meus joelhos, e vejo a minha face reflectida na água.
Vejo aquilo que queria ver muitas vezes em frente ao espelho do meu quarto. Acho que o brilho do sol, me deu um brilho diferente e que por segundos me consegui sentir uma estrela cintilante.
Uma brisa passa sobre a minha cara, a música soa o canto.
Torno o meu olhar, novamente, sobre o céu e vejo a liberdade com que um pássaro voa sobre aquele imenso azul.
Não queria ter asas, queria apenas sentir a liberdade que o pássaro transmitia. Sinto frio. O sol começa a perder a sua luz e o seu calor.
Avisto ao longe uma chama cinzenta, sinal de que o frio se tinha instalado e as fogueiras começavam a fazer-se acender para o calor se fazer sentir.
Enquanto tarda o silêncio quero estar sozinha.
O mais é nada
Amanhã não existe.

2 comentários:

Luciano de Sálua disse...

ao eh o sol que brilha de forma diferente, sao teus olhos que veem d eoutro angulo.

Rapariga dos caminhos abstractos disse...

Texto lindo =D
Adorei o blog ^^